Medidas para proteger o desenvolvimento do bebê prematuro

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Bebê prematuro em incubadora

O bebê prematuro, também chamado pelos médicos de pré-termo, é aquele que nasce antes de a gestação completar 36 semanas e seis dias. Quando o bebê nasce muito antes do tempo, pode precisar ficar hospitalizado até que consiga respirar sozinho, ganhar peso e mamar adequadamente. Os bebês que nascem antes do tempo não têm tempo para desenvolver plenamente seu cérebro e órgãos, podem ter de enfrentar uma hospitalização longa e ter atrasos de crescimento e aprendizagem. Ainda não se sabe ao certo o que provoca o nascimento prematuro, mas alguns fatores de risco já foram identificados, como certos problemas de saúde, idade da gestante, estilo de vida e colo uterino curto.

A evolução da tecnologia e os novos conhecimentos têm permitido a sobrevivência cada vez maior de recém-nascidos em condições adversas como a prematuridade e o baixo peso. Estudos publicados nos últimos 20 anos têm mostrado que esses bebês têm maiores riscos de apresentar problemas de desenvolvimento, além de malformações congênitas, déficit cognitivo, deficiências auditivas e visuais, asma, deficiência de crescimento e problemas de comportamento.

Algumas destas pesquisas mostram que entre as crianças nascidas com peso inferior a 1.500 g, 10% sofrem de paralisia cerebral, 15% têm QI inferior a 70, cerca de 30% têm problemas comportamentais importantes, normalmente  ligados a deficit de atenção, e 20% apresentam hiperreatividade brônquica (asma). Consequentemente, entre 25% e 60% delas serão reprovadas na escola ou terão necessidade de serviços de educação especializados.

Mesmo crianças que não apresentam sequelas mais graves podem apresentar comprometimento de algumas áreas de seu desenvolvimento neuropsicomotor, o que prejudica o funcionamento intelectual.

A alta hospitalar é o momento mais esperado pelos pais de bebês que nasceram antes da 37ª semana. Entretanto, mesmo que tenham sido dispensados do cuidado intensivo do hospital, esses bebês requerem cuidado mais atento de seus pais e cuidadores no primeiro ano de vida. Fisioterapia neonatal, por exemplo, pode ser importante para evitar eventuais atrasos no desenvolvimento. O acompanhamento médico é essencial para garantir que qualquer desvio seja evitado. No primeiro ano, é importante também evitar infecções, pois a prematuridade deixa o sistema imunológico imaturo. Cuidados com alimentação e higiene devem ser redobrados.

Idade cronológica X idade corrigida

O desenvolvimento dos bebês é acompanhado de acordo com a idade corrigida, que é diferente da idade cronológica. Isso porque o desenvolvimento físico, intelectual e comportamental do bebê prematuro pode ser diferente do padrão típico de um bebê que nasceu a termo. Os prematuros são “mais novos” do que o que a sua idade real mostra. Além disso, cada criança é única e tem seu tempo para realizar cada um dos marcos do desenvolvimento infantil. Somado a isso, devemos levar em consideração que quando um bebê prematuro nasce, ele é submetido a várias situações adversas na UTI, o que também influenciará o seu padrão de crescimento. A idade corrigida deve ser utilizada nos primeiros três anos de vida do bebê.

Minimizando sequelas

Felizmente existem maneiras promissoras de atenuar os riscos e sequelas a que estão sujeitos os bebês e crianças nascidos antes do tempo. Uma das primeiras medidas a serem tomadas, para beneficiar a saúde do bebê prematuro é o clampeamento tardio do cordão umbilical e “ordenha” do sangue para o bebê. Estudos mostram que essa ordenha melhora os resultados imediatos de saúde, como melhor pressão sanguínea e maiores níveis de hemoblobina.

Outra forma de favorecer o desenvolvimento dos bebês prematuros desde o nascimento é garantir que sejam alimentados com leite materno, no lugar do leite artificial. Evidências científicas indicam que os benefícios do aleitamento materno em prematuros podem ser medidos até os 9 anos de idade. Além disso, aqueles que receberam leite materno nos primeiros 28 dias de vida podem apresentar maior volume de massa cinzenta no cérebro, maior pontuação de QI e melhor desenvolvimento motor do que aqueles que foram alimentados com leite artificial.

Algumas intervenções durante a internação desses bebês apresentam benefícios comprovados para toda a vida. A estimulação precoce, musicoterapia e ouvir a voz e batimentos cardíacos da mãe são estratégias comprovadamente eficazes para vencer as principais dificuldades apresentadas pelos bebês prematuros no decorrer do seu desenvolvimento. Essas medidas podem beneficiar aspectos como frequência respiratória do bebê, ansiedade materna, desenvolvimento da linguagem e desenvolvimento cerebral dos prematuros.

Uma das estratégias para a redução da mortalidade neonatal, utilizada pelo governo brasileiro, é o Método Canguru, que integra a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC), do Ministério da Saúde. O Método Canguru foi instituído no Brasil desde o ano 2000 e reúne diretrizes de cuidado e atenção a recém-nascidos internados em unidades neonatais que utilizam os melhores conhecimentos científicos envolvendo também os pais e a família.

O contato pele-a-pele entre mãe e bebê é uma das principais intervenções propostas pelo Método Canguru. Pesquisas mostram que essa prática melhora significativamente a produção de leite da mãe e está associado à amamentação prolongada do bebê prematuro. Além disso, o método aumenta a satisfação dos pais, melhora a organização do sono, favorece o sono tranquilo e reduz a percepção da dor durante procedimentos com os bebês.

Quer saber mais sobre as intervenções eficazes no cuidado do bebê prematuro? Clique no botão laranja e acesse todos os artigos que já publicamos sobre o tema:

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