Desfralde: conquista importante no desenvolvimento infantil

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Desfralde: conquista importante no desenvolvimento infantil

O desfralde é um dos primeiros passos rumo à autonomia da criança, e também é considerado pelos estudiosos da Primeira Infância como um momento de descobertas, quando a criança toma consciência de suas capacidades de controle e de seu corpo.

Cuidadores, tanto no ambiente familiar quanto na Educação Infantil, têm papel fundamental para o sucesso do desfralde. Os profissionais de Primeira Infância, incluindo pediatras e educadores, podem atuar orientando os pais sobre procedimentos que podem ajudar em casa e na creche para que a criança deixe de usar fraldas.

Para que isso aconteça no tempo adequado da criança, é fundamental que os adultos entendam como se dá essa etapa de desenvolvimento infantil e conheçam as melhores práticas para ajudar as crianças a desfraldarem sem traumas.

“A conquista da autonomia é um processo peculiar de cada criança, mas também muito influenciado pelo ambiente. A aquisição de bons hábitos de micção e evacuação é fundamental para o bem-estar durante toda a vida, portanto o início deste processo é muito importante”, afirma Anna Maria Chiesa, consultora da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal.

Não existe uma idade determinada para que seja iniciado o desfralde, mas é comum que o processo comece por volta dos 24 meses. A identificação da hora certa para começar o desfralde ocorre a partir da observação dos sinais emitidos pela criança. Um dos primeiros sinais é a criança anunciar que vai quer fazer xixi ou cocô.

As meninas costumam ser mais precoces nessa fase que os meninos, por conta da própria natureza do desenvolvimento do organismo feminino. Já o controle noturno deve ocorrer somente por volta dos 36 meses, com variações de criança para criança.

Uma das estratégias mais eficazes para o desfralde é a exploração do processo por meio de brincadeiras, tornando a ida ao banheiro um ato comum e prazeroso para a criança. Brincadeiras como ‘dar tchau para cocô’, cantar musiquinhas e brincar com bonecos enquanto faz xixi são algumas das sugestões. Alguns pediatras também incluem nas recomendações o uso de penico (no lugar do assento redutor), o uso de roupas mais simples de serem retiradas pela própria criança e o envolvimento ativo da criança em todo o processo, por exemplo, deixando claro que elas podem pedir para ir ao banheiro a qualquer momento.

É importante atentar para alguns comportamentos que devem ser evitados por pais e cuidadores que conduzem o processo de desfralde. Iniciar o desfralde quando a criança não está preparada, castigar a criança ou escolher um mau momento para iniciar desfralde (durante uma doença ou crise emocional, por exemplo) podem fazer dessa uma etapa traumática. Forçar o desfralde, desrespeitando o tempo de aprendizado da criança, pode ser prejudicial ao seu desenvolvimento. Alguns desses comportamentos podem levar a problemas graves que se prolongam na infância e vida adulta, como a prisão de ventre.

Problemas comuns no processo de desfralde

Durante o desfralde, é comum que as crianças apresentem fases de evolução e regressão. Não querer usar o vaso sanitário, fazer menos cocô do que antes e recusar-se a usar o banheiro da escola são atitudes muito comuns durante essa fase. Outros problemas comuns são reclamar ou chorar quando o adulto sugere que é hora de ir ao banheiro e voltar a fazer xixi na calça após o desfralde completo. Nesses momentos, é necessário prestar atenção aos sinais da criança, ter paciência, conversar e tranquilizá-la em relação ao que possa estar incomodando.

Quando a incontinência vira um problema?

Crianças de todas as idades podem sofrer com problemas relacionados ao xixi, desde o desfralde até a adolescência. Os mais comuns são enurese noturna (xixi na cama), disfunção miccional (problema no esvaziamento da bexiga) e hiperatividade vesical (urgência ou alta frequência).

Incontinência urinária, enurese ou falta de controle da urina são problemas que afetam 20% das crianças até 5 anos de idade e 10% de 6 anos de idade.  Até os 5 anos de idade, fazer xixi na cama é considerado normal, considerando que o sistema urinário infantil ainda não está totalmente formado. Durante esse período e após, os pais devem ficar atentos, pois pode se tratar de enurese noturna. Diversos fatores podem causar essa doença, incluindo fatores emocionais, físicos e hormonais. A atitude dos pais e cuidadores, de tolerar e não culpar a criança é primordial para o tratamento.

A capacidade de controlar as necessidades fisiológicas (urina e fezes) tem muito a ver com a forma com que foi feito o desfralde. Segundo pediatras, é normal ocorrerem acidentes no início do processo de treinamento esfincteriano. Por isso, esse momento não deve ser tratado prova de inteligência da criança, mas sim como uma etapa de seu desenvolvimento físico e emocional.

Quer saber mais sobre desfralde e conferir recomendações para esse momento? Clique no botão laranja e acesse todos os artigos já publicados no Radar da Primeira Infância sobre o tema.

 

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